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“TEMOS PREVISÕES DE ULTRAPASSAR OS 200 TRABALHADORES JÁ ESTE ANO EM PORTUGAL”

Published On: 12 Março 2021

A Google aterrou há cerca de dois anos em Portugal e com ela chegaram várias oportunidades laborais. Falámos com David Catarino, responsável pelo projeto Lisbon Google Search Language Specialist através da empresa Qualitest, para perceber como funciona o recrutamento da Google em Portugal, que acontece em conjunto com o Grupo Clave.

 

A Google é conhecida pelo seu processo de recrutamento. Diz-se que por quantas mais entrevistas passar o candidato, melhor será a escolha do mesmo. Como funciona esse recrutamento em Portugal?

Nos tentamos adaptar o nosso processo de recrutamento da Qualitest ao da Google e damos muito valor aos soft skills e à pessoa em si. Não há outra maneira de considerar o processo de recrutamento sem ser direcionado para o candidato, e não direcionado para valores salariais. Não conseguimos dizer quanto vai receber um candidato, porque dependemos sempre da expectativa salarial e de todo o background do candidato. Assim que o candidato é selecionado, queremos ter logo a certeza de que a pessoa se vai integrar não só a empresa, como no trabalho e no ambiente da Google.

 

O ambiente é importante…

O ambiente é algo muito importante para a Google. Há um ambiente muito bom na Google e um cuidado extremo em não o estragar. Basta aparecer uma pessoa com um perfil diferente dos outros para criar conflitos. Tentamos sempre que o recrutamento seja feito com a pessoa ideal para o processo.

 

Quantas entrevistas é que passam os candidatos até integrar a empresa?

É um processo longo. Por regra são sempre 4 entrevistas, mas pode haver situações em que o perfil é mais técnico e pode haver algum stage adicional com algum tipo de testes ou de alinhamento tecnológico. Mas como a maior parte dos perfis que procuramos é linguístico, por regra são as 4 entrevistas. Neste processo duas entrevistas são com a nossa empresa e duas com dois team leaders diferentes. Com isto conseguimos ter a certeza de que as opiniões sobre o candidato estão alinhadas. No fim, lançamos a oferta salarial consoante as expectativas da pessoa para conseguir logo a motivação.

 

Quanto tempo pode durar um recrutamento destes?

É muito variável. Tenho agora um pedido mais específico de IT, em que temos seis posições em aberto e é com necessidade máxima, e posso dizer que neste caso pode durar cerca de uma semana. Mas quando temos de procurar para várias línguas, e não são todas para a mesma posição, pode durar até duas semanas.

 

Qual é então o perfil dos candidatos que procuram para Portugal?

Para Portugal o perfil é muito diferenciado. Quando a empresa chegou a Portugal estávamos a recrutar um pouco de tudo. Mas agora estamos a recrutar para acompanhar o crescimento. No entanto, começamos já a compensar a saída de algumas pessoas. Para o recrutamento linguístico, que é muito desafiante, vamos recrutando consoante as necessidades. Para nós é importante ter pessoas com o máximo de conhecimento nativo para dar informação rigorosa às pessoas que estão a pesquisar no Google. Agora que vamos crescendo, vamos tendo cada vez mais necessidade de perfis de IT.

 

Quando fala de necessidades linguísticas, isto aplica-se a qualquer idioma, certo?

Exato. Posso dizer que neste momento estamos a procurar com o Grupo Clave perfis com tailandês, indonésio e cantonês. Temos três línguas muito específicas e é por isso que damos muito valor aos nossos parceiros como o Grupo Clave, uma vez que são línguas muito complicadas de encontrar em Portugal.

 

Que atributos devem ter os candidatos para trabalhar na Google?

Damos muito poder de decisão aos team leaders. O que eles vão fazer é ver todas as pessoas que estão em processo e decidir qual é a pessoa mais ajustada para o perfil. Damos valor às hard skills e às soft skills, mas no fundo é o team leader que tem a decisão final. Mas claro que em processos onde é muito complicado encontrar o perfil, como o caso por exemplo do tailandês, acabamos por não ser tão estritos com os hard skills. Vamos acabar por depender mais da capacidade de aprendizagem desta pessoa, se ela tem capacidade de crescer dentro da empresa, se cria o ambiente certo. Como por vezes o candidato não consegue reunir todos os hard skills que estamos à procura, vamos acabar por avalia-lo através das soft skills.

 

Como se deve preparar uma pessoa para uma entrevista convosco? Que conselhos daria a um possível candidato…

Os candidatos passam por varias entrevistas, mas na primeira entrevista, penso que quanto mais informação o candidato conseguir reunir sobre o projeto da empresa, mais seguro se vai sentir ao longo do caminho do processo de recrutamento.

 

As condições salariais são uma das situações pelas quais as pessoas procuram muito a Google, mas não só. Fala-se da flexibilidade laboral, do espaço de trabalho com áreas de lazer… Também é assim em Portugal?

Sem dúvida, o facto é que crescemos muito por esta situação de pandemia. Muita gente ficou em casa, pelo que mais gente começou a usar as Google Tools, não só como entretêm, mas também para trabalhar e para obter informação sobre a situação. Mas sem dúvida a maior dificuldade que estamos a sentir agora é não estarmos a trabalhar desde o escritório. Isto era o mais aliciante para os trabalhadores. O feedback que temos das pessoas que já trabalhavam no escritório antes da pandemia, é que sentem a falta de produtividade por não estarem no escritório. O escritório oferece mesmo muitas coisas aos trabalhadores e acaba por ser um diferencial. É que além do salário e outros benefícios, temos free snacks all day, e várias salas de lazer para as pessoas tirarem descansos. Algumas das nossas tarefas podem ser muito monótonas, como as de caráter linguístico com base de tradução, e nós preferimos oferecer várias atividades para que as pessoas possam tirar a sua pausa e voltar ao trabalho mais focadas. Mas não temos qualquer tipo de macromanagement com os nossos trabalhadores. Nós damos uma tarefa com uma deadline e os trabalhadores têm toda a responsabilidade do projeto. Por isso a nossa maior dificuldade agora é não estarmos a oferecer o escritório da Google pela pandemia.

 

Como está a funcionar nesta altura?

Não é fácil, e continua a ser difícil fazer um processo de onboarding (integração organizacional) entre a Qualitytest e a Google sem estar no escritório. Há muitas pessoas que vieram de outros países e estão sozinhos em casa a trabalhar, e não estamos a oferecer tudo o que podíamos, pois metade do nosso projeto está no escritório.

 

A motivação constante das equipas é algo complicada, e mais nesta altura. Quais são as vossas estratégias?

Nos dias de hoje tentamos estar o mais próximo possível dos trabalhadores. Temos uma mentalidade de que é positivo pedir ajuda. Sabemos que não é a mesma coisa estar no escritório e pedir ajuda a alguém do que estar em casa e faze-lo. Mas temos muita liberdade de, seja através do chat ou de uma chamada, de poder tratar de alguma coisa. Apesar de não fazermos macromanagement, no escritório conseguimos detetar algumas atitudes e perceber algum tipo de desmotivação. Agora em casa e através da câmara, é mais difícil perceber os estados anímicos das pessoas. O máximo que podemos fazer é continuar a dar algumas respostas de lazer como as nossas freaky fridays, em que convocamos as equipas e temos meia hora para falar de algum tema de lazer e depois voltamos ao trabalho mais focados. Fazemos isto também para as pessoas perceberem que estamos perto uns dos outros.

 

Com quantos trabalhadores contam atualmente em Portugal?

Estamos com uma equipa que anda entre os 175 e 185 trabalhadores. Temos muitas entradas a decorrer, por isso não consigo dar um número concreto neste momento.

 

Estão previstas mais contratações, como já referiu…

Estamos a começar a sentir agora atritos dentro do projeto. Esta situação é algo normal em qualquer projeto, uma vez que já estamos a funcionar há dois anos. Por isso já se começam a fazer ciclos de pessoas a entrar e pessoas a sair. Antes de um ano, não é normal as pessoas saírem. Até há seis meses atrás era só pessoas a entrar. Por isso agora temos duas situações: pessoas a entrar porque estamos a crescer, e pessoas a entrar para ocupar posições de pessoas que já saíram.

 

Qual é o objetivo até ao fim do ano?

Temos previsões de ultrapassar os 200 trabalhadores já este ano em Portugal. E em 2022 ou 2023 contamos duplicar este número.

 

Há quanto tempo trabalham com o Grupo Clave?

Trabalhamos juntos desde setembro de 2020.

 

Qual a vossa relação com o Grupo Clave?

Posso dizer que a nossa relação com o Grupo Clave é excelente, partilham muitos candidatos e estamos sempre em contacto. É fácil contactar com a empresa quando precisamos dela e isso é muito importante para nós.

 

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